De Tirar o Fôlego – a saga das provas de 10 km!

Um desafio constante!

Um desafio constante!

Eu amo seguir o Iberê, da Runners Brasil. Ele parece que escreve exatamente o que eu estou pensando! Nesse post ele dá a exata noção do que é alguém participar de uma prova de 10 km sem muita experiência e sem estar mentalmente preparado!

Já participei de algumas provas de 5 km e duas de 10 km, uma do Wet n’ Wild lá em Vinhedo/SP e outra em Tóquio, no Japão. A de Vinhedo faz muito, muito tempo, foi em 2007 e fui com minha irmã, que na época, estava muito mais preparada que eu. Ela me puxou, me levou, me arrastou e não me deixou desistir no meio do caminho (beijo, Mana, Love You!!). A de Tóquio eu havia recebido uma espécie de “patrocínio” do pessoal da empresa em que eu trabalhava, eram japoneses que nunca tinham me visto, não sabiam quem eu era e acharam legal o Ganbattê (que pode ser traduzido como esforço) que eu dava. Trabalhava das 8h da manhã até as 22h ou 23h e ainda saía pra treinar depois de chegar em casa e deixar tudo pronto para o dia seguinte. Era penoso, trampar esse tempo todo em pé e em algo repetitivo, mas era o que tinha pra fazer. Sem falar nas condições climáticas do Japão, onde, quando é verão, é um calor de matar – chegando facilmente aos 40ºC durante um lindo dia de Sol – e quando é Inverno, dependendo da região, chega a -15ºC num dia de vento. No dia da prova em Tóquio, um lindo dia de Sol e de inverno (fevereiro) a temperatura beirava 3ºC ao sair do Hostel rumo ao local da prova e eu digo, com saudade, que valeu cada minuto aquela experiência!

Vamos as sábias palavras de Iberê:

Ao correr 10 km, para nós, amadores, o objetivo não é competir contra o outro, mas contra o relógio. É o você de hoje tentando superar o você de ontem. O ideal é começar poupando energia e ir acelerando aos poucos.

O primeiro quilômetro serve para entrar na prova e, por isso, deveria ser o mais lento de todos, com respiração sob controle e pulsação baixa. A impressão é a de que estão sendo desperdiçados segundos preciosos. Bobagem. Quem cede à tentação e começa acelerando demais corre o risco de, no final, ser ultrapassado pelo você de ontem. É uma luta mental, e o primeiro round é vencido por que segura o ímpeto.

O segundo quilômetro é a fase de transição, para encontrar o ritmo que será mantido pela maior parte da prova. A sensação de esforço sobe, mas ainda é baixa.

A partir do terceiro quilômetro, é hora de encaixar a velocidade de cruzeiro e ligar o piloto automático. O ritmo permanece constante, mas a pulsação e a sensação de esforço vão subindo.

Lá pela metade da prova tem início o segundo round da luta mental, a coisa já não parece tão fácil quanto nos dois primeiros quilômetros, só que ainda faltam 5. A respiração é forte e os músculos da perna começam a resmungar, e a sensação de esforço já está de média para alta. Ao fim do sétimo quilômetro, a respiração está bem ofegante e a musculatura bem mais cansada do que no quilômetro anterior.

Quando a placa mostra “8 km”, é a hora da verdade. Um “será?” ecoa no viva-voz interior, a sensação de esforço é alta e começa o terceiro round de uma luta mental que já virou UFC, com você imobilizado no tatame, tomando um mata-leão de um ucraniano com orelhas de repolho. Mas é preciso enxergar o lado glamuroso: é o momento do banho de sais. Por fora, um mix de sódio, cloreto, potássio e magnésio, do suor; por dentro, lactato, produto do metabolismo. Dá vontade de pedir arrego, mas e o tempo gasto nos treinos sob chuva, sol e frio, madrugando para treinar?

Eis que chega o último quilômetro. O esquema é ir com o que sobrou, rezando para ter sobrado. A sensação de esforço entra no modo “arrependa-se”. É como um nirvana, um experimento extrassensorial. O corpo está ali, coração na boca, mas tudo começa a parecer um enorme filme nonsense, um “Lucy in the Sky with Diamonds” em 3D. E a luz do cinema só acende uns 5 minutos depois de cruzarmos a linha de chegada.

 

Originalmente escrito por Iberê Castro Dias [twt: @iberedias]

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