Meus vizinhos nem imaginam que eu estou treinando para chegar em 148º lugar. Coisas de corredora amadora que leva o treino a sério (mas nem tanto o resultado).
Eles me veem passar de manhã cedinho, cara séria, relógio apitando, suando em bicas. Devem achar que eu estou me preparando para alguma seletiva olímpica. Mal sabem que o objetivo é bater o meu próprio tempo e, se possível, chegar antes da chuva.
A matemática da amadora
Numa prova de rua média, larga gente de todo tipo: quem corre há 20 anos, quem começou mês passado, quem está ali pela camiseta e pela medalha (todos válidos!). Chegar em 148º de 600 é ficar bem no meio do bolo. E o meio do bolo é onde mora a maioria de nós, amadoras.
Só que, para chegar nesse 148º, rolou:
- Despertador às 5h, três vezes por semana;
- Treino de tiro que me fez questionar todas as minhas escolhas de vida;
- Fortalecimento, porque depois dos 50 a musculação deixou de ser opcional;
- Um regenerativo filosófico por semana;
- Gelo no joelho, fogacho no meio da noite e muita, muita teimosia.
Por que vale a pena
Porque a gente não compete com a queniana. A gente compete com a gente mesma de ontem. E nessa disputa, eu ganho mais do que perco: ganho saúde, ganho humor, ganho um tempo meu, só meu, num dia cheio de compromissos dos outros.
E tem outra: o 148º lugar de hoje é a mulher de 50 e poucos anos que escolheu não ficar no sofá. Isso é pódio de outro jeito.
Treine como se fosse ganhar, comemore como se tivesse ganhado
Meu lema: treinar sério, levar a sério o descanso, e não levar tão a sério o resultado. A medalha de participação vai para a gaveta com o mesmo orgulho da de primeiro lugar que eu nunca vou ganhar.
Se você também treina para um pódio imaginário, deixa um 🥇 nos comentários. Somos muitas.
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