Não preciso de equipamento caro para treinar. Talvez por isso eu use a mesma dupla há anos: um Saucony Kinvara nos pés e um Garmin Forerunner 245 Music no pulso. Nenhum dos dois é o mais badalado do mercado, mas os dois fazem exatamente o que eu preciso.

O tênis: Saucony Kinvara

Confesso que nem lembro qual geração do Kinvara está aqui em casa agora — acho que é o 14. E isso meio que prova o ponto: é uma linha que a Saucony atualiza ano após ano sem perder a identidade.

E a identidade é esta: leve, drop baixo e pouca diferença de altura entre calcanhar e ponta. A pisada fica mais natural, sem aquela sensação de correr em cima de um travesseiro, que é a tendência de boa parte dos tênis hoje, com entressolas cada vez mais altas. Se você gosta de sentir o chão, o Kinvara é uma escolha sólida.

E tem um motivo a mais para eu gostar dele: tenho condromalácia grau IV, e os fisioterapeutas do Meu Joelho Novo indicam justamente tênis de drop baixo para quem tem esse problema. Com o calcanhar menos elevado, parte da carga sai do joelho e vai para o tornozelo e a panturrilha. O meu foi presente da minha irmã — a mesma que me arrastou na minha primeira prova de 10 km — e é realmente fantástico.

Só um cuidado: se você vem de um tênis muito alto e amortecido, faça a transição aos poucos. Com o drop baixo, panturrilha e tendão de Aquiles trabalham mais, e eles precisam de tempo para se acostumar. E, claro, cada joelho é um joelho: vale conversar com o seu fisioterapeuta antes de trocar.

Onde comprar: Saucony Kinvara 15 feminino na Amazon (o modelo atual da linha; o 14 já saiu das lojas)

O relógio: Garmin Forerunner 245 Music

Esse eu uso há tempo e adoro. Não é o modelo mais novo da Garmin, mas para quem quer o essencial bem feito, ele entrega:

  • GPS confiável para distância e pace;
  • Frequência cardíaca no pulso e dados de corrida como cadência;
  • Música no relógio: dá para treinar sem celular, só com fone bluetooth;
  • Bateria que dura vários dias no modo relógio.

Para quem está começando e não quer gastar uma fortuna com funções que nunca vai usar, um modelo de entrada como esse continua sendo um bom caminho para o mundo dos relógios de corrida.

No meu dia a dia, duas funções fazem a diferença. A primeira, óbvia: a música — saio para correr só com o relógio e o fone, sem o celular pesando no bolso. A segunda é a que mais me ajuda a não furar o treino: a minha assessoria monta o treino num aplicativo, ele vai direto para o Garmin Connect e aparece no relógio. É só apertar o botão e seguir o que ele manda — aquecimento, tiros, recuperação, tudo com aviso de ritmo. Não preciso decorar nada nem ficar olhando planilha no meio da rua.

Onde comprar: Garmin Forerunner 165 na Amazon. O 245 Music saiu de linha e não é mais vendido; hoje o equivalente de entrada da Garmin é o Forerunner 165, que tem a mesma proposta: GPS, frequência cardíaca no pulso e bateria de vários dias, com tela mais moderna

O ponto principal

Não é sobre ter o equipamento mais novo ou mais caro. É sobre ter o que funciona para você e usar até gastar de verdade. Esses dois estão comigo há muito tempo, e é por isso que eu confio em recomendar.

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